Orquestra é atingida por gás lacrimogéneo em Paris, mas músicos continuam a tocar
Uma orquestra ativista tem chamado a atenção em França por levar a música para o meio das manifestações. Apesar de já ter sido atingido por gás lacrimogéneo durante um protesto em Paris, o grupo Nouveau Monde continua a tocar, transformando as ruas em palcos de contestação.
No passado sábado, 17 de outubro, centenas de músicos juntaram-se numa manifestação na capital francesa, entre violinos, clarinetes e partituras, sob a direção do jovem maestro Étienne Jarrier, de 24 anos. As imagens do grupo a tocar no meio da multidão contrastaram com os momentos de tensão vividos durante os protestos.
O repertório inclui A Marselhesa, o hino nacional francês, canções revolucionárias e temas conhecidos de filmes como Star Wars e Piratas das Caraíbas. A iniciativa procura mostrar que a música também pode ser uma forma de expressão e intervenção cívica.
Fundada em 2022, quando Jarrier tinha apenas 20 anos, a orquestra reúne músicos profissionais e amadores. O jovem maestro, que tem formação em clarinete, aponta Nina Simone como uma das suas principais referências, tanto pela música como pelo ativismo.
Segundo o jornal Le Monde, o coletivo assume posições antirracistas, anticapitalistas, feministas e ecológicas, defendendo também o decrescimento. Para além de acompanhar manifestações, o grupo organiza ações próprias, tendo já tocado canções de protesto em frente à sede do partido de Marine Le Pen.