
Ninho de cegonhas foi destruído para construir hipermercado em Castelo Branco
Em Castelo Branco, a empresa responsável pela construção de um novo hipermercado Continente terá utilizado métodos ilegais para (tentar) remover um ninho de cegonha do topo de uma antiga chaminé fabril. No terreno existia uma antiga fábrica que foi demolida, mas deixaram intacta a chaminé com o objetivo de a recuperar.
No topo da chaminé existe/existia um ninho de cegonhas, que foi destruído com autorização dentro do prazo, que era o final do mês de fevereiro. O problema começou quando a empresa não terá assegurado alternativas para as aves, como a instalação de plataformas para nidificação. Também não foram colocadas barreiras no topo da chaminé e as aves voltaram a fazer o ninho.




Entretanto ontem, dia 3 de março, foi utilizado fogo na base da chaminé para afugentar as cegonhas com o fumo, uma imagem que começou a espalhar-se nas redes sociais acompanhada de mensagens de indignação.
Segunda a Quercus Castelo Branco, esta prática configura duas ilegalidades: a utilização de fumo e o facto de ter ocorrido depois de expirada a autorização, razões que levaram a associação a pedir a intervenção das autoridades.
Por norma, a retirada de ninhos de cegonha não é permitida no período de nidificação, que vai habitualmente de fevereiro a julho. Porém, pode ser autorizada caso se comprove o interesse público ou questões de saúde pública. Neste caso, segundo a Quercus, a licença tinha como condição a não existência de ovos no ninho, o que foi verificado através de imagens recolhidas por um drone.
A Quercus lembra que a lei protege as espécies e os locais de nidificação e espera “que agora façam as coisas bem feitas e esperem pela fim da época de reprodução“.

“Hoje estivemos no local com as autoridades e foram dadas instruções pelas autoridades para pararem com o fogo e respeitarem a lei. Ao que pudemos apurar a chaminé é para ser arranjada. Esperemos que este processo siga melhor acompanhado tecnicamente, cumprindo a lei e salvaguardado a preservação deste ‘ícone’ da cidade“, comentou a Quercus Castelo Branco.